poesia: as PALAVRAS-COISAS quando se está apaixonado pelas PALAVRAS-COISAS

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Queimada!

Evaristo Márquez e Marlon Brando em Queimada! (Burn!)

Gillo Pontecorvo (1969)


Porque estamos sempre nos esquecendo de quem somos

...

sábado, 29 de agosto de 2009

nós ou eu ou tu ou eles

As máquinas são homens
criando novos pronomes
Os homens são máquinas
intervenções performáticas
Ele e os amigos dele
têm inúmeros interesses
em comum
mais um

ambiente de interação
informático
resultados sociais
da parafernália
a ponto de se imaginar
NOVOS PRONOMES PESSOAIS
além dos convencionais
eu, nós, eles...

... (2006)

...desconhecido, materializado, escravizado, mas ainda humano...

"A oposição entre cultura e técnica, entre o homem e a máquina, é falsa e sem fundamento; ela esconde apenas ignorância ou ressentimento. Ela mascara atrás de um humanismo fácil uma realidade rica em esforços humanos e em forças naturais e que constitui o mundo dos objetos técnicos, mediadores entre a natureza e o homem.

A cultura trata o objeto técnico como o homem trata o estrangeiro quando se deixa levar pela xenofobia primitiva. O misoneísmo orientado contra as máquinas é menos um ódio pela novidade do que uma recusa da realidade estrangeira. Ora, esse ser estrangeiro é ainda humano, e a cultura completa é aquilo que permite descobrir o estrangeiro como humano. Da mesma forma, a máquina é a estrangeira; é a estrangeira na qual está aprisionado algo de humano, desconhecido, materializado, escravizado, mas ainda humano. A mais forte causa da alienação no mundo contemporâneo reside nesse desconhecimento da máquina, que não é uma alienação causada pela máquina, mas pelo não conhecimento de sua natureza e de sua essência, pela sua ausência do mundo das significações e por sua omissão no quadro de valores e conceitos que participam da cultura"

Introdução do livro Du Mode d'existence des Objets Techniques, do filósofo da tecnologia francês Gilbert Simondon,
traduzido ao português por Pedro Peixoto Ferreira


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

uma cortina

"A confraria pitagórica era constituída por duas grandes classes: os "acousmáticos" ("ouvintes" - "pitagoristas"), dirigidos por Hipásio de Metaponto, e os "matemáticos", ou "pitagóricos", que trabalhavam no conhecimento verdadeiro (máthema - estudo, ciência, conhecimento) sob a direção do mestre. Acousmático referia-se ao primeiro nível dos discípulos ligados ao ensino oral (acousmates - sinais de reconhecimento). Durante cinco anos, o postulante deveria escutar as lições em silêncio, sem nunca tomar a palavra, nem ver o mestre, que falava dissimulado por uma cortina. Só depois desses anos, envolto por uma série de provas físicas e morais, é que poderia pertencer à fraternidade considerado um pitagórico, e passar para o outro lado da cortina. Os matemáticos lidavam com os símbolos (coisas extensas), estágio adiantado no ensino secreto da natureza..."

"... Boa parte dos acousmates apresentavam duplo sentido: um referente à vida cotidiana e outro a um significado alto, apreendido somente pelos iniciados. Essa dimensão enigmática envolve todo o ensinamento oral dos pitagóricos, inseparável da prática do segredo no limiar entre o visível e o invisível, o audível e o inaudível"...

(retirados do livro "A condição da escuta", saboroso trabalho do camarada Giuliano Obici)

Pessoa: Máscara: Personne : Ninguém

"... Ah! Poder ser tu, sendo Eu!

Ter a tua alegre inconsciência
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!

Depois, levando-me, passai!"


ele mesmo, Fernando Pessoa...

Magnificent Fecundation


Yang Shaobin - Magnificent Fecundation - Óleo sobre tela

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

sábado, 1 de agosto de 2009