"A confraria pitagórica era constituída por duas grandes classes: os "acousmáticos" ("ouvintes" - "pitagoristas"), dirigidos por Hipásio de Metaponto, e os "matemáticos", ou "pitagóricos", que trabalhavam no conhecimento verdadeiro (
máthema - estudo, ciência, conhecimento) sob a direção do mestre.
Acousmático referia-se ao primeiro nível dos discípulos ligados ao ensino oral (
acousmates - sinais de reconhecimento). Durante cinco anos, o postulante deveria escutar as lições em silêncio, sem nunca tomar a palavra, nem ver o mestre, que falava dissimulado por uma cortina. Só depois desses anos, envolto por uma série de provas físicas e morais, é que poderia pertencer à fraternidade considerado um
pitagórico, e passar para o outro lado da cortina. Os matemáticos lidavam com os
símbolos (
coisas extensas), estágio adiantado no ensino secreto da natureza..."
"... Boa parte dos acousmates apresentavam duplo sentido: um referente à vida cotidiana e outro a um significado alto, apreendido somente pelos iniciados. Essa dimensão enigmática envolve todo o ensinamento oral dos pitagóricos, inseparável da prática do segredo no limiar entre o visível e o invisível, o audível e o inaudível"...
(retirados do livro "A condição da escuta", saboroso trabalho do camarada Giuliano Obici)
e o livro é sobre a bruma sonora, a atitude de ouvir, a politização do corpo-orelha-máquina, sobre microfones, alto-falantes, fones de ouvido, celulares, incômodos alheios, speakers, subwoofers, objeto sonoro, compressão de arquivos de áudio, a tal da avalanche das mídias...
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