poesia: as PALAVRAS-COISAS quando se está apaixonado pelas PALAVRAS-COISAS

segunda-feira, 29 de junho de 2009

La Jetée - 1962







La Jetée - 1962 - Chris Marker - 28 min.

Western Sunrise



Doug Carn > Adams Apple >Western Sunrise

domingo, 28 de junho de 2009

Viveiros de Castro

Pensamento Ocidental: nossa cosmologia postula uma continuidade física e uma descontinuidade metafísica entre humanos e animais.

Uma Natureza/Várias culturas

"O status do humano no pensamento Ocidental é essencialmente ambíguo: por um lado, o ser humano é uma espécie animal entre outras, e a animalidade é um domínio que inclui os humanos; por outro lado, a humanidade é uma condição moral que exclui os animais. Esses dois status coexistem numa noção problemática e disjuntiva da 'natureza humana'.

Descontinuidade metafísica entre homens e animais: faz do homem objeto para as "humanidades"

O espírito (ou a mente) é o grande diferenciador. Ele nos coloca acima dos animais e da matéria em geral, ele distingue culturas, faz cada pessoa única frente a seus iguais...


Continuidade física entre homens e animais: faz do homem (também) um objeto para as ciências naturais.

O corpo, em contraste, é o maior integrador: ele nos conecta ao resto dos seres vivos, unindo por um substrato universal (DNA, química do carbono) que, por sua vez, nos vincula com a natureza essencial dos 'corpos materiais'.





Pespectiva "Ameríndia":

postula uma continuidade metafísica e uma descontinuidade física entre os seres do cosmos...

Uma Cultura/ Várias naturezas

Continuidade metafísica entre os seres do cosmos: resulta no animismo

O espírito (ou alma) é o integrador; não é uma substância imaterial mas uma forma reflexiva.


Descontinuidade metafísica entre os seres do cosmos: resulta no perspectivismo

O corpo é o diferenciador; não é um organismo material mas um sistema de afetos ativos...


... Resumo pessoal do estudo de conceitos e parâmetros da obra do antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro...
Caso haja interesse, vale a pena checar, ler e fuçar nos artigos e textos vinculados ao wiki de "A Onça e a Diferença" (Projeto AmaZone)...

...

-- Foi gol?
-- Não! Escanteio!

...

sábado, 27 de junho de 2009

sábado, 20 de junho de 2009

"De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos?"


Paul Gauguin - 1897
tela de 4 metros no Museu de Belas-Artes de Boston (EUA)

domingo, 14 de junho de 2009

Animais dos Espelhos

Em um dos volumes das Cartas Edificantes e Curiosas que aparecem em Paris durante a primeira metade do século XVIII, o padre Zallinger, da Companhia de Jesus, planejou um estudo das ilusões e erros do povo de Cantão; em um censo preliminar anotou que o peixe era um ser fugitivo e resplandecente que ninguém havia tocado, mas que muitos alegavam ter visto no fundo dos espelhos. O padre Zallinger morreu em 1736 e o trabalho iniciado por sua pena ficou inacabado; cento e cinqüenta anos depois, Herbert Allen Giles assumiu a tarefa interrompida.

Segundo Giles, a crença no peixe é parte de um mito mais amplo, que se refere à época legendária do Imperador Amarelo.

Naquele tempo, o mundo dos espelhos e o mundo dos homens não estavam, como agora, incomunicáveis. Eram, além disso, muito diferentes; não coincidiam nem os seres nem as cores nem as formas. Ambos os reinos, o especular e o humano, viviam em paz; entrava-se e saía-se pelos espelhos. Uma noite, a gente do espelho invadiu a terra. Sua força era grande, porém, ao fim de sangrentas batalhas, as artes mágicas do Imperador Amarelo prevaleceram. Este rechaçou os invasores, encarcerou-os nos espelhos e lhes impôs a tarefa de repetir, como em uma espécie de sonho, todos os atos dos homens. Privou-os de sua força e de sua figura e reduziu-os a meros reflexos servis. Um dia, entretanto, livrar-se-ão dessa mágica letargia.

O primeiro a despertar será o peixe. No fundo do espelho perceberemos uma linha muito tênue e a cor dessa linha não se parecerá com nenhuma outra. Depois, irão despertando as outras formas. Aos poucos diferirão de nós, aos poucos deixarão de nos imitar. Romperão as barreiras de vidro ou de metal e dessa vez não serão vencidas. Junto às criaturas dos espelhos combaterão as criaturas da água.

No Yunnan não se fala do peixe, e sim do tigre do espelho. Outros acreditam que antes da invasão ouviremos do fundo dos espelhos o rumor das armas.


Extraído de "O livro dos seres imaginários de Jorge Luís Borges e Margarita Guerrero. Tradução para o português de Carmen Vera Cirne Lima.

sábado, 13 de junho de 2009

LAABHTEJBARRIZDABNAISNEOFRUZTl




LAABHTEJ BAR RIZDAB NAISINEOF RUZT

TZUR FOENISIAN BADZIR v RAB JETHBAAL

Tiro, Fenícia, Bedezir primogênito de Jethbaal






"Somos filhos de Canaã, de Sidon, a cidade do rei. O comércio nos troxe a esta distante praia, uma terra de montanhas. Sacrificamos um jovem aos Deuses e Deusas exaltados no ano 19 de Hirã, nosso poderoso rei. Embarcamos em Ezion-Geber no mar vermelho, e viajamos com dez navios. Permanecemos no mar juntos por dois anos, em volta da terra pertencente a Ham (África), mas fomos separados por uma tempestade e nos afastamos de nossos companheiros e assim aportamos aqui, 12 homens e 3 mulheres, numa nova praia, que eu, o almirante, controlo. Mas auspiciosamente possam os exaltados deuses e deusas intercederem em nosso favor ". (tradução de Cyrus Gordon)


Alguns linques sobre as controvérsias e evidências em torno do assunto:
Ludwig-Schwennhagen - parte 1
Ludwig-Schwennhagen - parte 2
Ludwig-Schwennhagen - Outra versão




post em processo...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

2.

Meu canário amarelo come carne crua
vermelha
e depois mostra os dentes, rosnando
canta grosso o bichinho
tadinho!

1.

Para enfrentar a vida na metrópole
As utopias de bolso
A virtude, o vício
a experiência

VentríLoco

algo faz perceber
neste vasto mundo
o que é que nos faz ser
ventrílocos
vagabundos
reproduzindo a preocupação em ter
razão
atentando às semelhanças
diminuindo as diferenças
comparando
competição
gravitação em torno de crenças
coletiva ilusão
como? quando?
onde e porque
perdemos a poesia?
por causa de quê
permitimos então
que rasgassem nossa fantasia?
o que foi que nos fez
deixar de dizer
de vez
o sim,
esquecer utopias
e repetir
sem crer
o não?

Nos outdoors...


...todas elas olham pra mim
e quanto mais me encaram
sorriem
apontam
quanto mais me chamam
sozinho
tanto mais me sinto assim
sim, aceito
no pacto, me vendo
não me dói mais o peito
não me importa mais nada
Mercadorias me lambem
me fazem
estão sempre lá, pra mim
nelas sei que eu,
Aladim
esfrego lâmpadas de ouro
mil e uma noites
de desejos satisfeitos enfim

CARTOGRAFIAS DAS REDES


VISUAL COMPLEXITY reúne projetos de grupos, corporações, coletivos, artistas e pesquisadores, que buscam representações visuais do mundo a partir do mapeamento de REDES: fluxos, transportes, dados, comunicações, internet, ou utilizam dados relativos às redes para criar imagens esteticamente muito interessantes...


Air Lines, poe exemplo, é um projeto artístico que mostra as rotas aéreas mundias. Cada vôo marcado num dia indicado é representado por uma linha fina de seu ponto de origem até seu ponto de destino. Assim, forma-se uma teia de milhares de linhas. "Hubs" como JFK, FRA or DXB tornam pretas (ou brancas) pontos onde as linhas confluem, assim como os lugares apenas dedicados a serviços locais são quase apenas uma "sugestão"...

Abaixo, um recorte da costa leste dos EUA e seus vôos trasnoceânicos...


"Exilado sim, preso não!"


Trabalho solo do Dexter...


Quem vai interferir, diz pra mim, quem que vai?




...com participação do GOG em Salve-se quem puder"...
É preciso ter cérebro, coordenação motora Pra não cair na armação da maldita gravadora Pra não financiar via Coca-Cola a metralhadora E nem desonrar, África nossa genitora...

...e Mano Brown e Di Função em "Eu Sou Função"
Sou função, pra quem não tá ligado me apresento e as ruas represento Dá licença aqui pra eu chegar nesse balanço É quente negrão a idéia que eu te lanço Estilo original de bombeta branca e vinho Vai, só não vai pra grupo com neguinho Ando gingando com os braços pra trás Só falo na gíria e pros bico é demais Sô forgado afronto os gambé, sô polêmico Na favela o meu diploma acadêmico De tênis all star, de cabelo black Meu beck, a caixa e o bumbo e o clap Cresci ali envolvidão com a função Na sola do pé bate o meu coração Esse som é do bom, dá uns dois e viaja Nós somos negros não importa o que haja O ritmo é nosso trazido de lá Das ruas de terra sem luzes e pá O fascínio não morre ele só começou Das festa de preto que os boy não colô Sô o que sô vivo aquilo que falo Meu rap é do gueto e não é pros embalo Vagabundo, se for pra somar chega aí Paguei pra entrar e nunca mais vou sair Então vem que vem, dinheiro eu quero Uma linda mulher e um belo castelo Eu sô raiz mas cadê você A função e o funk jamais vão morrer... [Dexter] Muito amor, muito amor, pelo som pela cor A herança ta no sangue louvado seja meu senhor Que me quis descendente de raiz Preto função sou sim, sou feliz Favelado legítimo escravo do rítmo Dos becos e vielas eu sô amigo íntimo Dexter o filho da música negra Exilado sim, preso não com certeza O rap me ensinou a ser quem eu sô E honra minha raça pelo preço que for Dos vida loka da história eu sô um a mais Que te faz ver a paz como sôro eficaz No gueto jaz, o inofensivo morreu Pela magia do funk renasceu o plebeu Aí fudeu, o monstro cresceu se criô ô Agora já era é lamentável doutor A guerra já não é tão mais fria assim Sô pelos função e a função é por mim Até o fim, "plim", nossa luz contagia Assim como o sol, que clareia o dia E aquece o pivete que dorme na rua Que passou a madrugada em claro a luz da lua Se situa, que o que ofereço é muito bom Força e poder dom através do som Negô, vem com nóis mais vem de coração Por paixão, por amor não pela emoção firmão Pra ser função tem que ser original Apresentando e tal mais um irmão leal [Mano Brown] Ser vida loka aqui está então pode saber Deixa as dama aproximar jão opa tamo aê Na arena mil juras de amor ao criador que nos guia Antes de nada mais para nóis muito bom dia Salve! só chegar meu irmão lêlê Por que não monstro? viva negro Dexter De vinte em vinte eu paguei duzentas flexão caçando jeito de burlar a lei da minha depressão Menino bom mas, pobre, feio, fraco, infeliz, só Se sentindo o pior vários monstro ao meu redor Com tambor de gás fiz mais cinqueta em jejum Ódio do mundo eu via em tudo o filme do Platoon No café o açúcar com limão no abacate Puta eu olhei a blusa suja de colgate Se ser preto é assim ir pra escola pra quê? Se o meu instinto é ruim e eu não consigo aprender Esfregando calças velhas fiz a lista do tanque Era um barraco sim, mas meu castelo era funk Folha seca num vendaval, um inútil É morrer aos pouco eu me senti assim, tio Eis que um belo dia alguém mostrou pra mim Uma reunião tribal, James Brown e All Green , uau "sex Machine" O orgulho brotou, poder para o povo preto, que estale os tambor Veio as camisas de ciclistas, calça lee, fivelão Tênis farol white uou uou uou ladrão Há seis mil anos até pra plantar Os pretos dança todo mundo igual sem errar Agradencendo aos céus pelas chuvas que cai Santo deus me fez funk, obrigado meu pai Nem por isso eu num... vou jogar filé mignon pras piranha O pierrô enquanto os playboy fuma maconha Não vejo nada, não vejo fita dominada Eu vejo os pretos sempre triste nos canto do mundão Então morô jão, um dois um dois drão Aham aham, alma, mente sã, corpo são Dexter tem que estar, com fé no senhor Tem que orar, tem que brigar, tem que lutar nego Ah meu bom juiz abra seu coração Se ouvir o que esse rap diz ia sentir o perdão Meu argumento é pobre, mas a missão nobre Mestrão irá saber reconhecer o homem bom Deixo aqui desde já, promessa de voltar É só querer,é só chamar que eu estarei lá Eis o doce veneno vivendo e vivão Um dia por vez, sem pressa, fui nessa negrão Sô função


... Tem rap nacional que vale muito à pena pela levada, pelo balanço e pela mensagem...
acidente de rotina


o motor de arranque
apressa
a embreagem da dúvida
dispersa
a escolha das pistas
da indecisão

sem rumo,
de um a cem,
em só um momento
o erro arriscado
da contra-mão


direção de mão única
linha do tempo
falta óleo na prática
graxa no pensamento
pisca-alerta ligado
apreensão

a fissura do combustível
fervendo
placa de identidade
escurecendo
o farol já queimado
prejudica a visão.


pára-brisas travado

anseio no quebra-vento
retrovisor sem passado
visor embaçado
porta-malas lotado

buzina emperrada

psico-confusão

desengate das marchas
um breque nas atitudes drásticas
cinto de segurança folgado
velocímetro no talo
neurocarburação


perigo, pneu careca
sim, "nóis capota,
mais num breca"
volante enguiçado
resultado
capô amassado


no pedágio deixou dívida
embriagado,
dirige a vida
turboinspiração
repetida


completamente atrasado,
atropelou
acelerou
acidente de rotina