poesia: as PALAVRAS-COISAS quando se está apaixonado pelas PALAVRAS-COISAS

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ENCONTROS E PERSPECTIVAS EM TECNOLOGIAS DE ÁUDIO E VÍDEO - OKARA

OKARA – ENCONTRO COM A CULTURA DOS POVOS INDÍGENAS



ENCONTROS E PERSPECTIVAS EM TECNOLOGIAS DE ÁUDIO E VÍDEO
Atividades que visam abordar as diferenças e os encontros entre as perspectivas do uso das tecnologias indígenas e não-indígenas de formação de redes e do audiovisual



Roda de Debate: Perspectivas indígenas e não-indígenas sobre as tecnologias audiovisuais
Com falas de pesquisadores e realizadores indígenas e não-indígenas que se debruçam sobre o tema das diferentes perspectivas sobre o uso do audiovisual e das possibilidades de encontro e convivência entre as tecnologias. Debate aberto ao público indígena e não- indígena, com participação do professor Laymert Garcia dos Santos, os cineastas Vincent Carelli, Caimi Waiassé Xavante, Zezinho Yube e outros pesquisadores que trabalham com o tema. Dia 22/11, domingo, às 11h30. Casa de Rituais.

Caimi Waiassé, xavante da aldeia de Pimentel Barbosa (município de Água Boa, Mato Grosso), integrou a equipe do Programa de Índio, na TV Universidade em Mato Grosso e da realização de Wapté Mnhõnõ, A iniciação do Jovem Xavante, e já participou de vários festivais no Brasil e exterior, incluindo a seleção do filme Darini, Iniciação Espiritual Xavante, para a 29ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2005. Hoje, Caimi é também professor da sua aldeia.

Laymert Garcia dos Santos, professor do Instituto de Filosofia e Ciencias Humanas da Unicamp e coordenador do Núcleo de Pesquisa CTEME (Conhecimento Tecnologia e Mercado), que se dedica, entre outros temas, ao estudo sobre os impactos das tecnologias sobre a culturas tradicionais e das perspectivas tradicionais sobre a sociedade contemporânea.

Vincent Carelli, indigenista, cineasta e produtor de cinema, coordenador da ONG Video nas Aldeias em Olinda atuando como formador de realizadores indígenas e produtor de seus filmes. Recebeu diversos prêmios por seu trabalho como produtor e cineasta. Dentre eles: Kikito de Melhor Filme na categoria Documentário, no 37o Festival de Gramado de 2009, com o filme “Corumbiara”; Prêmio UNESCO na 6ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico pelo projeto Vídeo nas Aldeias, em 1999; Prêmio por "A Arca dos Zo’é” no 16º Tokyo Video Festival e no Cinéma du Réel em Paris. Tem filmes e séries de televisão sendo exibidos por canais públicos nacionais e internacionais.

Zezinho Yube, índio Hunikui da Terra Indígena Praia do Carapanã, aldeia Mibayã, no rio Tarauacá. Agente agroflorestal formado pela Comissão Pro-Índio do Acre, já participou de seis oficinas do Vídeo nas Aldeias, e realizou 4 filmes, entre eles um curta metragem para o projeto Revelando os Brasis “Manã Bai, A história do meu pai”. Agora Zezinho está realizando 3 novos filmes, um deles sobre os KENE, os grafismos do povo Hunikui.



Mostra Cineastas Indígenas
Curtas e médias-metragens produzidos por cineastas indígenas no contexto do projeto Vídeo nas Aldeias. Filmes das etnias Xavante, Kunikui, Kuikuro, Panará e Ashaninka. Confira a grade de exibição. Dias 18/11, quarta, às 11h e às 13h30. Dia 19/11, quinta, às 11h30. Dias 20 e 21/11, sexta e sábado, às 13h. Dia 22/11, domingo, às 14h. Teatro SESC Interlagos.

XAVANTE
Dia 18/11, quarta, das 11h às 13h.

Wapté Mnhõnõ, Iniciação do Jovem Xavante
1999 / 56min. / Xavante
Documentário sobre a iniciação dos jovens Xavante, realizado durante as oficinas de capacitação do projeto Vídeo nas Aldeias*. A convite de Divino, da aldeia Xavante Sangradouro, 4 Xavantes e um Suyá realizam, pela primeira vez, um trabalho coletivo. Durante o registro do ritual, diversos membros da aldeia elucidam o significado dos segmentos deste complexo cerimonial.

Wai’á Rini, O poder do sonho
2001 / 48min. / Xavante
A festa do Wai’á, dentro do longo ciclo de cerimônias de iniciação do povo Xavante, é aquela que introduz o jovem na vida espiritual, no contato com as forças sobrenaturais. O diretor Divino Tserewahú vai dialogando com o seu pai, um dos dirigentes deste ritual, para revelar o que pode ser revelado desta festa secreta dos homens, onde os iniciandos passam por muitas provações e perigos.


XAVANTE
Dia 18/11, quarta, das 13h30 às 15h.


TSÕ’REHIPÃRI, Sangradouro
2009 / 28min. / Xavante
Em 1957, depois de séculos de resistência e de fuga, um grupo Xavante se refugiou na missão Salesiana de Sangradouro, Mato Grosso. Hoje rodeados de soja, com a terra e os recursos depauperados, eles mostram neste filme suas preocupações atuais em meio a todas as mudanças que vêm vivenciando.



PI’ÕNHITSI, Mulheres Xavante sem Nome
2009 / 56min. / Xavante
Desde 2002, Divino Tserewahú tenta produzir um filme sobre o ritual de iniciação feminino, que já não se pratica em nenhuma outra aldeia Xavante, mas desde o começo das filmagens todas as tentativas foram interrompidas. No filme, jovens e velhos debatem sobre as dificuldades e resistências para a realização desta festa.




KUIKURO
Dia 19, quinta, das 11h30 às 13h10.

Nguné Elü, O dia em que a lua menstruou
2004 / 28min. / Kuikuro
Durante uma oficina de vídeo na aldeia kuikuro, no Alto Xingu, ocorre um eclipse. De repente, tudo muda. Os animais se transformam. O sangue pinga do céu como chuva. O som das flautas sagradas atravessa a escuridão. Não há mais tempo a perder. É preciso cantar e dançar. É preciso acordar o mundo novamente. Os realizadores kuikuro contam o que aconteceu nesse dia, o dia em que a lua menstruou.


Imbé Gikegü, Cheiro de pequi
2006 / 36min. / Kuikuro
É tempo de festa e alegria no Alto Xingu. A estação seca está chegando ao fim. O cheiro de chão molhado mistura-se ao doce perfume de pequi. Mas nem sempre foi assim: se não fosse por uma morte, o pequi talvez jamais existisse.Ligando o passado ao presente, os realizadores kuikuro contam uma estória de perigos e prazeres, de sexo e traição, onde homens e mulheres, beija-flores e jacarés constroem um mundo comum.


KUHI IKUGÜ, Os Kuikuro se apresentam
2007 / 7min. / Kuikuro
Os Kuikuro apresentam sua história, desde seus antepassados, passando pelos conflitos com os brancos, até as mudanças de suas vidas no mundo contemporâneo.

Kahehijü Ügühütu, O manejo da câmera
2007 / 17min. / Kuikuro
O cacique Afukaká, dos índios Kuikuro no Alto Xingu, conta a sua preocupação com as mudanças culturais da sua aldeia e seu plano de registro das tradições do seu povo, e os jovens cineastas indígenas narram a sua experiência neste trabalho.





HUNIKUI
Dia 20, sexta, das 13h às 15h10


Xinã Bena, Novos tempos
2006 / 52min. / Hunikui (Kaxinawá)
Dia-a-dia da aldeia Hunikui de São Joaquim, no rio Jordão no estado do Acre. Augustinho, pajé e patriarca da aldeia, sua mulher e seu sogro, relembram o cativeiro nos seringais e festejam os novos tempos. Agora, com uma terra demarcada, eles podem voltar a ensinar as suas tradições para seus filhos e netos.


Huni Meka, Os Cantos do Cipó
2006 / 25min. / Hunikui (Kaxinawá)
Uma conversa sobre cipó (aiauasca), “miração” e cantos. A partir de uma pesquisa do professor Isaias Sales Ibã sobre os cantos do povo Hunikui, os índios resolvem reunir os mais velhos para gravar um CD e publicar um livro.

Já me transformei em imagem
2008 / 32min. / Hunikui (Kaxinawá)
Comentários sobre a história de um povo, feito pelos realizadores dos filmes e por seus personagens. Do tempo do contato, passando pelo cativeiro nos seringais, até o trabalho atual com o vídeo, os depoimentos dão sentido ao processo de dispersão, perda e reencontro vividos pelos Huni kui.


Filmando Manã Bai
2008 / 18min. / Hunikui (Kaxinawá)
Em 2007, o cineasta Zezinho Yube decide filmar a história de seu pai, o professor e pesquisador Huni kui Joaquim Maná. O projeto resultou no vídeo Manã Bai, A história de meu pai, selecionado pelo programa Revelando Brasis Ano II. Filmando Manã Bai é uma reflexão de Zezinho sobre o filme, o processo de realização, suas dificuldades e escolhas como cineasta e a delicada relação com seu personagem.





ASHANINKA
Dia 21/11, sábado, às 13h.


A gente luta mas come fruta
2006 / 40min. / Ashaninka
O manejo agroflorestal realizado pelos Ashaninka da aldeia APIWTXA no rio Amônia, Acre. No filme eles registram, por um lado, seu trabalho para recuperar os recursos da sua reserva e repovoar seus rios e suas matas com espécies nativas, e por outro, sua luta contra os madeireiros que invadem sua área na fronteira com o Peru.
Caminho para a Vida, Aprendizes do Futuro, Floresta Viva
2004/26min./Ashaninka
Os três filmes relatam o manejo agroflorestal realizado pelos Ashaninka na sua comunidade no rio Amônia, Acre. “Caminho para a vida” mostra a experiência de manejo de tracajás, espécie que se tornou escassa devido ao grande consumo dê seus ovos e sua carne. “Aprendizes do Futuro” mostra o trabalho de recuperação de solo degradado realizado com a participação das crianças da aldeia. “Floresta Viva” relata a experiência de consórcio de espécies realizada com a participação de toda a comunidade para proporcionar melhor alimentação a todos.
No tempo das chuvas
2000 / 38min. / Ashaninka
Crônica do cotidiano da comunidade Ashaninka na estação das chuvas a partir dos registros realizados durante a oficina na aldeia do rio Amônia no Estado do Acre. A cumplicidade entre os realizadores e os Ashaninka faz o filme ir além da mera descrição das atividades, refletindo o ritmo da aldeia e o humor de seus habitantes.

Shomõtsi
2001 / 42min. / Ashaninka

Crônica do cotidiano de Shomõtsi, um Ashenika da fronteira do Brasil com o Perú. Professor e um dos videastas da aldeia, Valdete retrata o seu tio, turrão e divertido.

PANARÁ
Dia 22/11, domingo, das 14h às 16h. Teatro SESC Interlagos.


Kiarãsâ Yõ Sâty, O amendoim da cutia
2005 / 51min. / Panará
O cotidiano da aldeia Panará na colheita do amendoim, apresentado por um jovem professor, uma mulher pajé e o chefe da aldeia.


Prîara Jõ, Depois do ovo, a guerra
2008 / 15min. / Panará
As crianças Panará apresentam seu universo em dia de brincadeira na aldeia. O tempo da guerra acabou, mas ainda continua vivo no imaginário das crianças.

De volta à terra boa
2008 / 21min. / Panará
Homens e mulheres Panará narram a trajetória de desterro e reencontro de seu povo com seu território original, desde o primeiro contato com o homem branco, em 1973, passando pelo exílio no Parque do Xingu, até a luta e reconquista da posse de suas terras.

Para os nossos netos
2008 / 10min. / Panará
Personagens e realizadores Panará traçam comentários sobre o processo de criação dos filmes O Amendoim da Cutia e Depois do Ovo, a Guerra e o uso do vídeo em sua comunidade.



Laboratório Audiovisual
Dispositivo de Visão: experiência de encontro entre máquinas e olhares

Instalação de um laboratório de edição de vídeo para a composição de uma equipe de captação de registros audiovisuais composta por técnicos indígenas não- indígenas e produção de pequenos vídeos e registros audiovisuais que serão disponibilizados em um videoblog. Com grupo do CTEME, da Unicamp. Coordenação de Chico Caminati.
De 18 a 22/11, quarta a domingo. Quiosque do Viveiro, Aldeia e Casa de Rituais, das 10h às 21h. Gratis.


Curtas Vídeo nas Aldeias na Internet
Exibição de curtas disponíveis na Internet produzidos por cineastas indígenas de diversas etnias no contexto do projeto Vídeo nas Aldeias.
De 18 a 22/11, quarta a domingo, das 10h30 às 17h, exceto no horário de cursos e oficinas. Internet Livre


Oficina de videoblog
Aprenda a criar blogs e publicar vídeos e fotos na Internet, a partir de registros captados no encontro Okara.
Dias 18, 21 e 22/11, quarta, sábado e domingo, das 14h às 16h. Inscrições na Internet Livre.





SESC Interlagos
quarta a domingo e feriado, das 9h às 17h.
Av. Manuel Alves Soares, 1100 - Parque Colonial - São Paulo - SP
Tel.: 11 5662 9500

Preços de entrada:
Comerciário matriculado e idosos a partir de 60 anos: Grátis
Usuário/MIS matriculados: R$ 1,50 (quarta a sábado) e R$ 3,50 (domingo e feriado)

Visitantes:
Adulto: R$ 3,00 (quarta a sábado) e R$ 7,00 (domingo e feriado)
Estudante/Menor de 18 anos/ Professores da Rede Pública: R$ 1,50 (quarta a sábado) e R$ 3,00 (domingo e feriado)
Crianças até 03 anos: Grátis

Estacionamento: R$ 7,00 (quarta a domingo e feriado)


Informações: www.sescsp.org.br

domingo, 18 de outubro de 2009

"Das rad"




E por falar em tempo(s)...

"Relógio que atrasa...



"Relógio que atrasa... não adianta..." ...já dizia meu Mestre Jogo de Dentro...
Saudades da mandingagem...

domingo, 11 de outubro de 2009

Aboio e Enxurrada



Aboio, de Marília Rocha (2003)


+



O burrinho pedrês, João Guimarães Rosa (em Sagarana)


...

domingo, 4 de outubro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"Ser, sistema, potências e tensões"

“Os potenciais existentes no plano de realidade pré-individual propiciam o início do processo de individuação na medida em que este venha a corresponder a uma resolução para incompatibilidades presentes no sistema, devido a forças em tensão ou ao ruído gerado pelo contato de elementos incomensuráveis. Poderíamos portanto dizer que é a tensão entre as potências que dá origem a um processo de individuação, e o indivíduo que daí nasce segue-as carregando, e assim dispondo virtualmente de informação ou energia para continuar se individuando.

Ser, sistema, potências e tensões: este é portanto o léxico empregado por Simondon para pensar o princípio de individuação como processo, um fluxo no qual os indivíduos nada mais são do que manifestações temporárias, fases... Poderíamos dizer que o ser consiste em um sistema cujos elementos são potências e cujas relações são tensões, estas últimas podendo variar em intensidade, indo de zero até um ponto em que uma resolução se torna imprescindível. Aí mora o princípio de individuação: o indivíduo é uma resposta, assim uma solução, em todo caso precária”.


Trecho extraído do artigo "Gilbert Simondon na Amazônia", escrito por Geraldo Andrello, no qual o autor toma o conceito de individuação para o filósofo francês Simondon. O artigo foi publicado em 2006 na edição de número 07, da revista Nada,
que trata de
tecnocultura, pensamento, arte e ciência.


...

"O Jogo é Hoje"

A história começou com a participação do Ice Blue e de “um tal M.B.” (conforme o próprio site da campanha/evento) na produção de uma mixtape que integra uma campanha/evento da Nike Futebol, chamada Batalha das Quadras, relacionada diretamente ao “futebol de rua”. O “Batalha nas Quadras” rolou em SP e no Rio no final de 2008. Inicialmente, a faixa, de composição do “tal M.B.” e do Dom Pixote, foi gravada pelo próprio Blue (junto ao Dom Pixote). Entenda mais aqui.


A notícia/boato mais fresca é que a Nike queria comprar os direitos da música para usa-la também em mega campanha publicitária relacionada à CBF e aos jogadores da seleção brasileira na Copa de 2010. “O Jogo é Hoje” deve fazer parte do novo trabalho do grupo, que ainda não foi lançado oficialmente, mas já tem algumas supostas prévias disponíveis para download na Internet, como esta.


(Dom Pixote)

Começa o jogo da vida / E nóis vamos com jáh / Com a alma eu vo lutar / Eu vim pra ganha / O brasileiro sai do gueto / Atrás dos sonhos vai / Com a família em pensamento / Seu pai morreu dizendo: - é o melhor do mundo. / Iniciô uniforme sujo / Na varsea com os adulto / Feis cresce o vulgo / O sonho de moleque / Concretiza agora / A sina veste o manto decola./No Brasil apavora explode / É a alegria da massa / Mostrando so magia / Com a proposta do barsa. / Qué joga na europa / Brilha na copa / O povo é quem convoca / hoje ta ai / Defendendo o seu país / Como quis seu pai / Convocado pra fita / O jogo é hoje vai / I eu vo / Vo corre pelo time / Um lançamento decídi / É só olha, calcula, não se inibi / Vontade de quem tava no crime / vo chega / A luz que ascendeu veio pra brilha / Família do norte / A mãe empregada /O coroa braço forte / Tento a sorte só / Marcas na pele / Crio seus filhos só / Foi batalhando conquisto com a fé de jó / Herdei sua vontade / E suas qualidades / Não olhei pro dinheiro / Entre as necessidades /Esperei esse combate / É a hora da verdade / Eu sei que um vai sofre / E outro te felicidade /O placar de 0 x 0 / Mostra a rivalidade / Tradição em campo / Cresce a dificuldade / Vem um calafrio / O jogo a mil / na trave / O que vai acontecer / Pra vence / eu tenho a chave /O jogo é hoje é / Este dia esperei / Na raça que vem a taça / Eu treinei me preparei / Cento e oitenta milhões / Apenas onze por vocês / O Morumbi ta lotado / Ouvi o hino me inspirei.

(Refrão)

O jogo é hoje, o jogo é hoje

(Ice Blue ou Mano Brown)

Que vença o melhor enfim / Mais Oh irmaozin / Pior se desacredita do neguin / Não posso perde / Perde como assim / O que seá de nóis , num pode / O que será de mim / Um vilolão triste / A perseguir-me / Permitis – te senhor eis me aqui / O jogo é hoje / Em jejum desde ontem as 10 /Até la pra não me causa um revés / E dizem valha-me nossa senhora / Ouvi que quem cede a vez não quer vitória / O Jogo é hoje / Que horas são nem vi / Coincidência ou não / Eu num consegui durmi / Vislimbrei céu azul entre as telhas pai / Apenas sou mais uma ovelha / Os lobos uivam por sangue é um teste eu sei / Meu mestre até aqui me trouxeste rei / Já não sei bem dizer se errei / Nem quantos lobos eu matei / O Jogo é hoje / Vi terror desespero no ar / Devaneios no olhar do companheiro / Honra de um homem em shek / Todos os olhares em nóis muleque / No dia da nossas vidas eles verão que eu existo / E por não ter sido visto eu preciso vence / Minha torcida é sofrida / Linda de se vê / E por ela eu sou capaz de morrer / Ao perdedor desamor o beijo da lona / Praça pública explana verdades á tona / Oposto da Fama / Sem dó desprezo das damas / O Jogo é hoje / Meu Amor eu vou indo / Meu uniforme ta pronto / É mais que um confronto / É uma pá / É mais que 3 pontos / O JOGO É HOJE
(sic - letra extraída do site do "Batalha nas Quadras/Nike Futebol)

Em apresentações recentes ao vivo dos Racionais e em outras gravações disponíveis na Internet, é Mano Brown quem faz a última estrofe.





Há quem fale que o negócio já foi fechado. Ouvi, por outro lado, que o grupo cogitou a possibilidade de vender os direitos para a campanha maior, mas na hora H não assinou o contrato. O jogo é hoje: a polêmica está aí, já gerou um debate que pode ser acompanhado também na Internet sobre as atitudes de resistência dos Racionais até hoje às “tentações do capitalismo”, de um certo capitalismo...


É... Mano Brown... O jogo é sempre! O jogo é hoje!


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sábado, 5 de setembro de 2009

Merci!



Merci! - Christine Rabette, 2003


indicação antiga do meu amigo e mestre Sérgio Seabra...

Trilogia do deserto

...do diretor tunisiano Nacer Khemir...






Andarilhos no deserto (1986)
dá pra ver o filme todo por aqui, caso não achem em vídeo ou não tenham a oportunidade de ir ao cinema (principalmente)...



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O colar perdido da pomba (1991)



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Bab'Aziz - O príncipe que contemplava sua alma (2005)
dá pra ver o filme todo por aqui, caso não achem em vídeo ou não tenham a oportunidade de ir ao cinema (principalmente)...




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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Queimada!

Evaristo Márquez e Marlon Brando em Queimada! (Burn!)

Gillo Pontecorvo (1969)


Porque estamos sempre nos esquecendo de quem somos

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sábado, 29 de agosto de 2009

nós ou eu ou tu ou eles

As máquinas são homens
criando novos pronomes
Os homens são máquinas
intervenções performáticas
Ele e os amigos dele
têm inúmeros interesses
em comum
mais um

ambiente de interação
informático
resultados sociais
da parafernália
a ponto de se imaginar
NOVOS PRONOMES PESSOAIS
além dos convencionais
eu, nós, eles...

... (2006)

...desconhecido, materializado, escravizado, mas ainda humano...

"A oposição entre cultura e técnica, entre o homem e a máquina, é falsa e sem fundamento; ela esconde apenas ignorância ou ressentimento. Ela mascara atrás de um humanismo fácil uma realidade rica em esforços humanos e em forças naturais e que constitui o mundo dos objetos técnicos, mediadores entre a natureza e o homem.

A cultura trata o objeto técnico como o homem trata o estrangeiro quando se deixa levar pela xenofobia primitiva. O misoneísmo orientado contra as máquinas é menos um ódio pela novidade do que uma recusa da realidade estrangeira. Ora, esse ser estrangeiro é ainda humano, e a cultura completa é aquilo que permite descobrir o estrangeiro como humano. Da mesma forma, a máquina é a estrangeira; é a estrangeira na qual está aprisionado algo de humano, desconhecido, materializado, escravizado, mas ainda humano. A mais forte causa da alienação no mundo contemporâneo reside nesse desconhecimento da máquina, que não é uma alienação causada pela máquina, mas pelo não conhecimento de sua natureza e de sua essência, pela sua ausência do mundo das significações e por sua omissão no quadro de valores e conceitos que participam da cultura"

Introdução do livro Du Mode d'existence des Objets Techniques, do filósofo da tecnologia francês Gilbert Simondon,
traduzido ao português por Pedro Peixoto Ferreira


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

uma cortina

"A confraria pitagórica era constituída por duas grandes classes: os "acousmáticos" ("ouvintes" - "pitagoristas"), dirigidos por Hipásio de Metaponto, e os "matemáticos", ou "pitagóricos", que trabalhavam no conhecimento verdadeiro (máthema - estudo, ciência, conhecimento) sob a direção do mestre. Acousmático referia-se ao primeiro nível dos discípulos ligados ao ensino oral (acousmates - sinais de reconhecimento). Durante cinco anos, o postulante deveria escutar as lições em silêncio, sem nunca tomar a palavra, nem ver o mestre, que falava dissimulado por uma cortina. Só depois desses anos, envolto por uma série de provas físicas e morais, é que poderia pertencer à fraternidade considerado um pitagórico, e passar para o outro lado da cortina. Os matemáticos lidavam com os símbolos (coisas extensas), estágio adiantado no ensino secreto da natureza..."

"... Boa parte dos acousmates apresentavam duplo sentido: um referente à vida cotidiana e outro a um significado alto, apreendido somente pelos iniciados. Essa dimensão enigmática envolve todo o ensinamento oral dos pitagóricos, inseparável da prática do segredo no limiar entre o visível e o invisível, o audível e o inaudível"...

(retirados do livro "A condição da escuta", saboroso trabalho do camarada Giuliano Obici)

Pessoa: Máscara: Personne : Ninguém

"... Ah! Poder ser tu, sendo Eu!

Ter a tua alegre inconsciência
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!

Depois, levando-me, passai!"


ele mesmo, Fernando Pessoa...